domingo, 18 de setembro de 2011

The Heart of the Ring - Part. I

Cap. I - E Chega o Sinal...

“- Filho, jamais perca este anel, com ele, um dia tu poderás assumir trono! Lembre-te disso! – Dizia uma mulher com seus cabelos avermelhados como brasa, pele branca como nuvens recém-formadas e olhos prata-esverdeados. - Agora vão, os três! Corram!”
- Ah! – Um garoto acorda assustado, este possuía cabelos cor de sangue, olhos verde oliva e pele bronzeada. Este logo se senta no colchão, passa sua mão na cabeça ainda com sono e confuso.
A casa onde assistia era consideravelmente incomum. Construída sobre algumas árvores em meio a uma floresta, próxima ao riacho, era feita de madeira escura, resistente. A casa possuía cerca de quatro cômodos – dois quartos, uma sala e uma cozinha – porém era consideravelmente organizada. As camas eram feitas de peles de animal, e os tecidos eram já bastante antigos, estavam lá há anos. Repentinamente alguém bate na porta levemente.
- Entre, já estou desperto... – Ele dizia ainda com voz de sono.
- Bom dia Nathan! O sol já despontou no horizonte e os pássaros cantam. – Ela falava cantarolando. Seus lábios rosados exibiam um belo sorriso como troféu, a brisa entrava pela janela e fazia as longas madeixas de seu cabelo cor de mel dançarem. Os olhos eram azuis e possuíam um sol cor de ouro ao centro. Ela levava uma cesta com frutas e um pouco de leite de coco. Cantou – Bom dia, bom dia como se pass... - Fora interrompida.
- Ah! Aaliyah! Pare! Detesto este bom humor logo cedo!
- Pessoas chatas deixam a vida chata! – Ela disse rindo um pouco, em seguida sentou-se ao lado dele.
- Eu sonhei com aquele dia mais uma vez... A mesma cena, minha mãe falando daquele jeito...  – Ele pega uma maçã e morde levantando sua cabeça fingindo estar tudo bem.
- É... Isso aconteceu comigo também, sonhei com o fogo, o escuro, o frio a lama e a chuva... São as imagens que me assombram... As imagens daquele dia... Mas agora... Teremos de esperar o sinal que ela disse para esperar! – Ela disse tentando animar-se.
Ambos terminaram o desjejum e desceram em direção à grota que se localizava próxima ao local. Quando se aproximaram da pequena queda d’água, já a avistando, Aaliyah hesitou caminhar por alguns segundos, em seguida, Nathan sentindo a falta da presença de sua amiga ao seu lado, para e olha para trás, ela estava olhando para o chão, notava-se que esta dobrava as mãos em punho com demasiada força.
- Aaliyah? Estás bem?  - Ele preocupava-se.
Aaliyah mostrava uma sugestão de sorriso em seus lábios; em seus olhos, lágrimas a escorrer. Nathan a olha e corre em sua direção abraçando-a fortemente.
- Não chore... Por favor...
- Foi aqui Nathan, foi aqui... – Ela correspondia o abraço com demasiada força, dera um suspiro profundo e mergulhara em profunda tristeza. Esta encostara seu rosto de encontro ao peito do garoto que a consolava. Nathan sabia o que se passava e entendia o quão doloroso era. – Creio que estou melhor, não posso continuar assim, afinal, já se passaram oito anos... – disse ao enxugar suas lágrimas. Ele a olhou desconfiado, mas em seguida sorriu e bagunçou o cabelo dela.
Caminharam lado a lado até a grota.
A grota era antiga, há quem diga que era mágica, há quem diga que estava lá desde o início dos tempos, para Nathan, era só uma grota, para Aaliyah...
... A perda de alguém.
Ambos estavam encharcados quando risadas foram ouvidas. Assustados o silêncio fez-se, entreolharam-se rapidamente e procuraram ao seu redor. Nada fora avistado durante certo tempo. Risadas é o que ouvem novamente e repentinamente aparece uma garota, esta aparenta ter a mesma idade de Aaliyah, cerca de seus quinze anos. Sua pele era pálida como porcelana, seus olhos e seus cabelos; negros, mas eram assim de tal forma que a penumbra da noite fazia-se parecer clara. Os cabelos chegavam a atingir cerca de três palmos abaixo da cintura. Estava descalça e trajava um curto cinzento.
- Olá! – Disse acenando de cima da pequena queda d’água e inclinando seu corpo, estava com um belo sorriso e os olhos cerrados.
- Quem és tu? – Perguntou Aaliyah assustada, pois acreditavam ser os únicos moradores daquela floresta.
- Sophie! Cecil Sophie! – Respondeu enérgica. E sorrindo – E tu? Quem sois? – Disse inclinando demasiadamente sua cabeça para a esquerda.
- Meiren, Aaliyah Meiren... – Disse desconfiada. – E este é...
...Aaliyah fora interrompida.
- Nathan William Giulio II – Ele respondeu com grande seriedade. – E tu, por ventura, o que desejas conosco?
- Que sério! Assim assusta! – Respondeu parecendo uma criança, mas em instantes sua expressão multara-se, estava séria e fria como uma estátua. – Nathan William Giulio II, filho do rei George William Giulio I com sua primeira esposa Lilia Martinez, a Fugitiva ou a Traidora. Esta abandonara o rei, grávida, levando consigo o anel real com o símbolo do dragão. Fora sentenciada à morte e aos que a acobertava também, Giulio I não sabia de tua existência e... Não sabe.
Nathan abriu seus olhos, assustado ele caíra sentado n’água com uma de suas mãos sobre a face. “Como alguém desconhecido pode saber tanto sobre minha própria vida, pensei que apenas eu e minha mãe soubéssemos...” Pensara assustado.
- Nathan... Jamais dissera algo parecido a mim... Isto que ela dissera é verdade? – Dizia Aaliyah ainda sem reações e ficara inda mais surpresa quando o viu acenar com a cabeça concordando com o que fora dito. – Como mantivestes um segredo destes? Eu acreditava que este anel era uma lembrança de tua mãe.
- Tu eras nova quando o...
-... O ataque ao vilarejo fora realizado. O rei procurava ver a cabeça da rainha como uma cebola num espeto, mas infelizmente apenas soube que morrera, não teve seu desejo realizado, portanto sentenciara à morte a todos que acabassem por ajudá-la, como todos do local a mantiveram em segredo, esta foi a sua punição.
- Como sabes disto? – Perguntou pondo-se de pé novamente e ressaltando sua altura para não sentir-se tão oprimido em relação à jovem que mostrava conhecer mais de sua própria vida do que ele mesmo.
- Há uma velha canção de ninar usualmente cantada na língua do povo antigo; - Disse ela séria, parecia ter uma personalidade ambígua. – Muitos não conhecem a cantiga correta, ou nem mesmo o que significa, apenas sussurram como ouviram como um bando de papagaios, que não conhecem certos riscos. – A garota pareceu exaltada. – Meus antepassados que fizeram esta previsão e com medo do que diriam na época, criaram esta canção: – Ela cantara. A melodia era um lamento, fazia parecer que algo morria dentro de si ao ouvir tal coisa.

“Os tempos vindouros trazem-nos novas;
Alegria, tranquilidade, justiça e paz;
Cairá em castigo eterno, aquele que o mal pregou;
Carregando seu símbolo e sem montante;
 Emergirá das névoas, o enviado dos deuses, pois;
Durma agora, estão olhando;
Fique calmo que ele nos salvará;
Durma agora, até o dia em que tudo recomeçará.”

Ambos estavam em silêncio, conheciam a melodia, porém nunca lhes disseram a canção. Entreolharam-se assustados e a fitaram novamente, sabiam que elara era o sinal esperado. Falaram juntos sem sequer notar:
- Serias tu o nosso sinal?
- Auxilio! – Agora parecia ser uma criança boba novamente. – É assim que prefiro que digam! Vim mostrar-vos o caminho para Grityfell, mas é claro que por fora da estrada. – Piscou um de seus olhos e sorriu – Existem espiões do rei e os seu cabelo e olhos te entregam, são características marcantes de sua mãe, pois. – Sorriu.
Aaliyah e Nathan esperaram por este dia há anos, desde o ataque ao vilarejo. Disseram que o sinal viria quando achasse que era hora. “O sinal é d’outro mundo, vindouro do povo antigo e chegará com o inesperado.” Relembrou Aaliyah. Convidaram Cecil para um jantar, mas ela nada comeu. Todos foram dormir após mais conversa...


Continua...

domingo, 4 de setembro de 2011

Quelqu'un M'a Dit - FINAL

Cap. V - Um lugar para ser chamado de "só nosso".

- Nunca! Seu velho nojento! – Áurea despertava de seu estado de choque.  – Deus é testemunha do que eu passe em tuas mãos!
- Ora como te atreves! Sua vagabunda insolente! Matar-te-ei de imediato! O Lorde das Trevas mandou-me vir aqui buscar o compactuado, chegara a hora dele. Já que este era válido até o vosso reencontro! – Ele ria maliciosamente. – Acho que levarei um presente a mais, já que não ficará comigo por bem, será por mal, minha flor prometida, minha Aury! – Ele ria, sua voz era ambígua, assustadora, demoníaca.
- Compactuado? Do que estás falando? Ficou louco? – Diz ela confusa, não entendia o que estava ouvindo, mesmo tendo recuperado parte das lembranças de sua vida passada.
Waldeck começou a andar em direção a eles, Rurik, que ainda estava parado em frente Áurea, não se movera, mesmo ao ver o rei provindo das trevas segurando uma espada. Ele grita friamente:
- Corra! Vá para o nosso local! Vá o mais rápido que pode!
- Nosso local...? – Ela ainda tentava-se lembrar de onde era. – Mas-
- Não se preocupe comigo e não olhe para trás! – Ele a interrompe, não parecia ser a mesma doce pessoa de antes, agora estava frio e notava-se a raiva o possuindo. Mesmo usando a máscara que cobria a parte superior de seu rosto, ela notara que ele suava. Estava nervoso, ele sabia lutar, sabia como manejar uma espada, mas não tinha uma consigo. – Vá! Corra! Ficarei bem e logo lhe encontrarei no nosso local! Não olhe para trás!
- Estarei lhe esperando! – Áurea apenas virou suas costas e começou a correr. Isto era difícil, pois ela usava salto e vestido longo. Logo em seguida vira um vulto com algo brilhante passando ao seu lado. – O que será qu- deixa para lá, onde é o “nosso lugar?” onde devo esperar-te? – Ela apenas corria.

“- Como assim só nosso? – Dizia a pequena garotinha, esta possuía cerca de seus sete anos.
- Sim! Precisamos de um lugar para chamar de ‘só nosso’! – Respondeu um garotinho loiro com cerca de seus oito ou nove amos de idade.
- E onde você pensou? – Disse ainda curiosa.
- Venha Aury! Vou te mostrar! Lá é lindo... – Falou sorrindo e puxando-a pelo pulso”

- Que maravilha! Se eu ao menos lembrasse o local! – Dizia para si mesma.
Áurea estava ofegante de tanto correr, a sua frente enxergara uma cachoeira, se aproximou e ajoelhou-se na beira do rio. Olhando seu reflexo. Retirara a máscara e como um relâmpago viu a imagem de duas crianças brincando na parte rasa da cachoeira, assustada deixou a máscara cair no chão.

“- Uau! – Disse uma garotinha surpresa. – Aqui é lindo!
-Viu! Eu te disse! – E esse agora é o nosso lugar! Só nosso!”

- É aqui! Mas... Como eu cheguei aqui? – Ela começa a rir. – Acho que meu inconsciente que me trouxe... – Áurea olha para cima e vê a lua brilhando. - Acho que foi como naquela vez...

“Era dia, porém faltavam poucas horas para o sol se por. A jovem rainha havia se perdido na floresta, pois mandara seus cavaleiros a deixar sozinha. Ela saíra da trilha atraída por algumas orquídeas que havia nas árvores. E andara até chegar em uma cachoeira, alta, bela e fria.
- Nossa! Há quanto tempo eu não venho aqui! – Disse a rainha dando alguns rodopios. Ela trajava um vestido cor-de-rosa com detalhes em renda branca. Sua coroa caíra no chão sem que ela percebesse. – Como esse lugar traz-me boas lembranças! Rurik... Como sinto tua falta!
- Também sinto tua falta majestade. – Disse Rurik ao se curvar.
- Rurik? – Estava paralisada, sem reação, ela ainda o amava, porém estava casada com o rei.
- Sim majestade. – Permanecia curvado.
- Pare com isso! Eu não gosto! Rurik... Eu senti tanto a sua falta... – Ela abraçou seus próprios braços e começou a chorar. – Aquela velha nojenta! Ela não me disse que havia me prometida em casamento! – Disse mergulhando em um choro desesperado. Ela fica de cócoras. Instantes após ela sente algo na sua cabeça. Ele havia posto a coroa dela novamente no local. Ela olha para cima e o vê sério, sem vida no olhar.
Rurik estava diferente desta vez, era como se o seu coração tivesse sido arrancado e lançado aos animais. Ele pega uma das mãos da jovem e a ergue, assim levantando a garota, permanecendo com o braço estendido para cima, ele passa a outra mão pela cintura dela e a puxa para perto de si. Logo em seguida ele a beija, como ele a beijava antes, antes daquela drástica mudança.
Passadas horas ele a guia até a trilha. Deste dia em diante, eles sempre se encontravam naquele local, na mesma hora. Ela sempre ordenava aos cavaleiros para que a deixassem ir só, porém o rei começara a desconfiar e ordenou que uma criada a acompanhasse sempre, porém esta era bastante amiga de Aury, portanto ajudava.
Certo dia o rei mandara um de seus homens segui-las secretamente, este vira a jovem rainha junto de seu amado. Voltou ao castelo e contara tudo ao rei. Waldeck estava à esperara de Aury em seus aposentos. Ele começara a falar quando esta chegara.
- Onde estavas? – Pergunta seriamente, virado de costas para ela olhando tudo pela janela.
- Colhendo flores com minha criada, meu querido. – Responde andando em direção a ele e retirando o pesado manto do rei.
Ele fica irado neste instante e com considerável força estapeia o rosto da dama, assim, jogando no chão.
- Vagabunda! Anda deitando-se com outro homem! – Ele dizia tudo esbanjando ira, mesmo ele sendo tão infiel quanto, ou mais. – Estás proibida de sair do castelo! Meus homens e criados vigiarão seus passos!
- Pois que seja! Eu nunca desejei ter me tornado sua noiva!
- E é exatamente por isso que tu não poderás ter um filho de outro homem! Tu és minha esposa e sendo assim deves cumprir teu papel, estive este tempo todo me divertindo com criadas, pois tu eras muito nova, mas agora já se passou um ano e exijo que dê-me um herdeiro!
- Nunca! Jamais me deitarei contigo seu velho nojento! Vá divertir-te com um de tuas pobres empregadas sem opção! – Gritou como ruge um leão, estava realmente o odiando mais que tudo.
- Irei lhe mostrar o que é desafiar a mim! – Falou em um tom mais baixo que a assustara. Ele fechara as cortinas dos seus aposentos e a olhara maliciosamente, ela correra para a porta, mas ele chegara antes e a trancara.
Waldeck a segurara pelo pescoço e a levantara. Ele caminhava em direção à cama, ela segurava o braço do mesmo, ele estava a asfixiando. Em seguida ele a jogara na cama como se joga lavagem aos porcos, e subira sobre a jovem. Esta se debatia tentando livrar-se dele, porém ele era mais forte. Abruptamente ele retira as vestes da garota e suas próprias vestes também.
Em instantes a jovem já não poderia mais pensar em seu futuro ao lado de Rurik, o rei a sujara com sua maldade.”

Cap. VI - O presente, a máscara e a eterninade.

- O que é isto? – Disse o jovem loiro olhando para o chão ao ver uma espada reluzente. Uma garota que trajava um manto marrom surgiu à sua frente.
- Após ele ter descoberto o caso de vocês dois eu fui jogada aos calabouços do castelo, se não fosse por ti, eu e meus filhos não teríamos vivido como vivemos. Meu espírito não conseguiu seguir em frente sem ver tu e tua amada juntos. Portanto, aqui está minha ajuda a ti.
- Muito obrigado minha cara dama. Sinto que as moedas de ouro que eu dei-lhe para cuidar de sua família valeram a pena. – Respondeu sorrindo ao pegar a espada e olhando para Waldeck.
- Que comovente reencontro... Merece aplausos. – Diz sarcasticamente – Porém, sinto em decepcioná-los, mas... – A voz demoníaca causava arrepios em todos. – Irie leva-lo comigo ao inferno, o prazo do seu pacto de vida eterna expirou, tu já a encontrara. Não há nada escrito sobre ficar com ela. Tua alma pertence ao Lorde das Trevas agora! – Ele corre na direção do jovem loiro empunhando sua empada e tenta feri-lo.
Rurik era demasiado habilidoso, mesmo o rei tendo poderes anormais, o jovem era capaz de desviar e contra-atacar. Ao longe se escutava o tinir das espadas se chocando. Era uma melodia triste, onde só se poderiam comemorar desgraças desde o início dos tempos. Waldeck, com um golpe sujo, joga areia nos olhos do garoto e o derruba no chão. E ergue sua espada com e intenção de atingir-lhe com um golpe final.

“Dentro de uma torre, uma jovem rainha estava presa aos cuidados dos criados, mal comia, bebia, ou sequer tomava banho. O rei apenas aparecia periodicamente às noites.
-Sua meretriz imunda! Vaca infértil! Não serves para coisa alguma! Nem para dar-me um herdeiro! – Ele a estapeava novamente, ela, porém, estava demasiadamente fraca para corresponder às agressões. Apenas sofria calada.
Os criados geralmente ouviam a discussão, todos gostavam muito de Aury, esta era gentil e carinhosa, porém estando naquele estado eles não podiam fazer nada. Certo dia recebera uma carta, secretamente enviada sob seu prato. Rurik a escrevera. Porém esta não conseguira lê-la, o rei aparecera e a rasgara. Ele a espancou novamente, como não encontrou o criado responsável por lhe entregar a carta, punira à todos com um ano pagando o dobro de dízimos.
Rurik, assim como alguns outros criados, visitavam Jessie, que estava jogada em um calabouço com suas roupas e um manto marrom. Rurik dava dinheiro para ajudar no sustento da família desta. Certo dia ele combinara de libertá-la, ele iria quebrar as grades, os filhos dela já estariam indo ao local do encontro e estes fugiriam. E assim o plano foi executado com perfeição, os calabouços era distantes do castelo e não tinham cavaleiros e nem guardas vigiando.”

No momento do impacto uma luz branca surge e impede de Rurik ser atingido.
A luz tomou forma, era a garota que trajava a capa marrom. Ela impedira que Rurik fosse atingido.
- E- eu sempre torci por vocês dois! Agora... Darei minha alma ao vosso amor. Eu te liberto de seu pacto dom o Lorde das Trevas, vou em seu lugar! – Ela fala com suas últimas forças. – Você já não tem mais opção! Já fio atingida pela Espada das Trevas. Adeus... Sejam felizes!
- Maldita criada! Como ousas? Como pôde impedir a minha vingança? – Neste momento ambos, a criada e o rei, começaram a desaparecer em meio à escuridão. – Que tu queimes eternamente! – Viu-se uma luz branca intercedendo pela jovem empregada. Ao ver de Rurik ela fora levada aos céus, porém sua visão estava embaçada. Ele pode apenas ouvir um berro que expressava o ódio em som. A voz era tão assustadora que ele não pôde se mover durante alguns instantes. Quando voltara ao normal, vê um lírio branco em seu colo. Era mais um presente da jovem da capa marrom. Havia uma mensagem escrita na terra, ao seu lado:
“Devolva a ela o que perdera.”

“Aury estava cerca de um ano presa na torre, acabara de fazer seus dezoito anos. Um dia, seus criados acertaram em ajudar a rainha em uma fuga à noite. Esta aceitou a proposta, e à noite um dos guardas abriu a porta e a deixou sair, todos lhe davam comida e roupas. Ela agora trajava um vestido salmão, longo, com rendas e espartilho brancos. Entregaram-lhe também uma capa negra como a noite sem lua e nem estrelas.
Antes de sair do castelo, uma garotinha lhe entregara lírio branco com um laço salmão. Dissera que era para dar-lhe boa sorte. Aury a aceitou e saiu do local camuflada por entre as sombras. Ela correra o máximo que pudera. Rurik havia sido avisado da fuga e já a esperava, quando a vira, seguiu como pôde, porem esta estava distante. O sol ameaçava despontar, ela atravessara a campina verde e encontrara um penhasco. O olhara, sentia a brisa em seu rosto e fechava seus olhos, quando repentinamente ouve um grito.
- Não faça isso! – Um garoto loiro grita em desespero ao ver uma jovem na beira de um penhasco.
- Não posso continuar com isso! Eu não aguento mais! – Diz uma garota dos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura trajando um vestido longo salmão. Ela chorava em desespero.  – Deixe-me ir!
- Se ir não serei capaz de perdoá-la! Pense nisso!
- Agora eu já não sei nem mais o que eu sou... Ao meu eterno amado, desejo encontrar-te em um futuro um que possamos nos amar. – Ela solta o lírio e deixa com que a gravidade agisse sobre seu corpo, assim, ela alça seu voo, como um meteorito brilhante. ‘Espero que você me ame ainda assim...’ – Aury pensou em seus últimos momentos de vida.”








    - Áurea! Podes me ouvir? – Rurik gritava ao longe. Fora até a cachoeira, mas só encontrara a máscara lá. O sol ameaçava despontar, ele correra até a fronteira da floresta com a campina e vira Áurea ao longe. Ele correra desesperadamente, ela caminhava rumo ao penhasco. Quando o jovem está se aproximando dela, começa a gritar com todas as suas forças, ainda correndo. – Áurea! Áurea! Não posso perdê-la, mais uma vez! Por favor! Pare! Não faça isso! Não serei capaz de perdoa-la se o fizer novamente!
A garota se vira com um sorriso no rosto.
- Eu? O fazer novamente? Jamais! Penso que não o deveria ter feito uma vez... – Ela caminhava em direção a ele, que havia parado de correr e estava ofegante. Ele  e olha por trás da máscara prateada e a abraça fortemente.
- Eu te amo... – Cochicha no ouvido da bela garota.
- Desejo ouvir VOCÊ, Rurik, me dizendo isso! – Ela o afasta e encara seus olhos por trás da máscara, em seguida ergue suas mãos, retira-a, e o fita novamente.
- EU TE AMO! – E repete, nesta instante o sol desponta no horizonte fazendo toda a veste de Áurea reluzir com seus inúmeros cristais. A luz do sol fazia com que o cabelo do garoto brilhasse ainda mais, ele ainda trajava sua capa negra por fora e vermelha internamente, sua pele branca mostrava-se macia, e seus olhos brilhavam como um par de esmeraldas lapidadas.
- EU TAMBÉM TE AMO! 




Logo ela o beijara, e assim, consolidou um amor que será eterno....




Fim...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quelqu'un M'a Dit - Part. II


Cap. III - Uma bela noite para alguém.

Era quase seis da tarde, Áurea estava preparando-se para sua formatura, afinal de contas, ela cursava a terceira série do ensino médio. Ela estava ansiosa, iria a um grandioso baile, onde seria feito dentro dos limites do local onde estudava. Dava-se para enxergar um enorme salão principal, este estava decorado com várias fitas, balões e sobre as mesas, tecidos brancos também. A formatura com a temática branca era tradição do colégio e este ano era um baile de máscaras.
- Mãe! Onde está o vestido que compramos junto com as minhas presilhas de cabelo? – Áurea estava realmente empolgada com tudo aquilo, ela corria de um lado a outro para arrumar-se.
- Estou passando-o! Fique tranquila filha! Ainda faltam uma hora e meia! – Respondeu sua mãe, esta estava no andar térreo.
O tempo passou-se, Áurea estava pronta, trajava um longo vestido salmão, este possuía certo volume e cristais pequenos e cintilantes, não possuía alças e, em sua cintura, uma faixa branca que media cerca de dez centímetros que formava um laço na sua parte frontal à esquerda. Seu sapato possuía um salto não muito baixo e era branco. Seu cabelo agora estava maior e cacheado, havia crescido desde o seu primeiro encontro com o garoto, estava um palmo e meio abaixo de seus ombros e nesta noite, estava preso pela metade atrás. No alto, uma presilha metálica branca que parecia ter sido desenhada, tinha o formato de flores. Seus brincos eram pequenos, seu colar também, usava luvas da mesma cor do vestido, porém com renda branca nas pontas. Sua máscara era prateada com brilhos nas pontas.
Esta noite sua mãe que a levara até a festa formatura, ela a deixara lá e fora embora. Áurea subiu as escadarias da parte frontal do local. Estava indo ao baile sem um par, não havia ninguém com quem ela gostaria de ir exceto o garoto misterioso, pelo qual estava apaixonada. Deu alguns passos em frente e entrou no salão, havia várias pessoas lá, estavam todos muito bonitos. Áurea andou em direção ao canto e sentara-se sozinha. Vários de seus amigos lhe pediram para dançar, porém ela não aceitara.
Cerca de uma hora depois do inicio da festa, Áurea já não estava muito bem, decidira dar uma volta e então saíra. Caminhou em direção ao córrego, o mesmo eu passava perto do castelo, e sentara-se no banco de madeira que havia próximo deste. Ela apoiara a mão direita sobre o banco e sentira algo. Era uma flor, copo-de-leite com um laço branco. Ela levantou-se imediatamente e olhou para todos os lados a procura de quem a deixara lá, olhou para trás e não vira nada, quando voltara sua visão para frente, viu o mascarado misterioso, ele trajava uma capa negra por fora e vermelha cor de sangue por dentro.
- Você está linda esta noite... Sempre foi... – Nesse momento ele olha para o chão e fala só para si. – Estava linda naquela noite também... – Vêm algumas imagens em sua mente.

“- Não faça isso! – Um garoto loiro grita em desespero ao ver uma jovem na beira de um penhasco.
- Não posso continuar com isso! Eu não aguento mais! – Diz uma garota dos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura trajando um vestido longo salmão. Ela chorava em desespero.  – Deixe-me ir!
- Se ir não serei capaz de perdoá-la! Pense nisso!”


     O mascarado levanta seu olhar para a garota e sorri, ela nota uma lágrima molhando o queixo dele, mas não diz nada.
- Vo-você está bem? – Perguntou preocupada e segurando fortemente a flor copo-de-leite. – Há algo que te incomoda?
- São só lembranças... – Disse sorrindo para não preocupa-la. – Vamos! Há algo a tua espera!
Ele segura na mão da garota e anda na direção do córrego, logo ela avista uma ponte improvisada e um casebre de madeira bastante antigo, este havia sido tomado pelo tempo. Ela reconhece o local, sabe que há uma saída do castelo que leva até lá através de uma trilha escondida.
Ambos atravessam a ponte e caminham pela trilha na floresta. Ela andava devagar pois estava usando salto.
- Nee... Como você consegue? – Áurea pergunta enquanto andam lado a lado de mãos dadas e lentamente pela trilha. Ela cheira a flor novamente e olhava para a trilha que chegava ao fim.
- Consigo o que? – Diz sem entendê-la e a olhando.
- Sabe... Aparecer e desaparecer assim...
- Ah! Isso, bem... Eu sou só rápido...
- Entendo... Por que eu sinto que já lhe conheço? – Ela pergunta e eles param de andar, haviam acabado de chegar ao final da trilha, de um lado enxergavam o castelo, do outro as ruínas da antiga sociedade ao longe.
- Ei! Venha vou lhe mostrar um belo lugar você vai ad- – Ele não pôde terminar a sua frase, fora interrompido por uma voz demoníaca de outro mundo.
- Então você está aí?! Aury! – O som ecoava por todo o castelo, Áurea ficou estática, já não enxergava mais, seu corpo fremia por inteiro ela olhava para o chão, deixara a flor cair.
O jovem mascarado fica a frente de Áurea com a intensão de protegê-la, pois ele reconhecera a voz, era de um rei antigo que um dia governara por ali. Este era conhecido por ser cruel e impiedoso, além disso, diziam que ele maltratava e traía sua esposa. Disseram que sua esposa fora prometida a ele quando nasceu. Ela era cerca de vinte anos mais nova. Casou-se aos dezesseis e suicidou-se aos dezoito.
- O que queres conosco? Deixe-nos em paz, Waldeck! – Gritava o garoto.
- Ela é minha por direito! Vim das trevas para impedi-lo de ficar com ela! – Das sombras do castelo surgia uma estranha figura, era um homem alto, barbudo, com o manto e a coroa reais. Ele caminhava na direção dela com a mão direta estendida. – Oh minha querida Aury! Venha até mim! Deixe Rurik e vamos recomeçar nosso amor!
Neste momento várias lembranças inundavam a mente de Áurea. O velho lhe chamara de Aury, chamara o garoto com a máscara de Rurik e ela surpreendentemente conhecia esses nomes. Começara a lembrar-se de algo que já havia terminado há muito tempo, recordava-se de um passado.


Cap. IV - Memórias de uma flor.

“Os dias estavam frios, o céu estava triste, ele escurecera em plena manhã – era a época de chuva. O castelo estava agitado, pessoas corriam de um lodo a outro, o salão principal estava todo decorado com diversas flores, desde a mais comum a mais bela. O perfume destas fazia o ar parecer mágico. O grande salão, logo na entrada, estava sendo preparado para uma festa. Iriam anunciar quem tornar-se-ia a rainha em três dias.
Próximo ao castelo havia uma linda planície, que nesta época do ano, florescia. Esta deixava de ser verde e tornava-se roxa, o perfume das alfazemas era carregado para longe pela brisa que soprava por ali.
- Aury! Vamos! Se demorarmos a chuva pode cair! Se isto vier a acontecer, tu não poderás colher as alfazemas que tua mãe lhe pedira!– Dizia um garoto alto, com cabelos pouco ondulados na altura de seus ombros, eram loiros e brilhavam como o luar. Ele falava alto, estava escorado em uma porta de madeira, esta separava um quarto de uma sala.
- Acalme-se amado meu! Preferes que eu vá sem estar devidamente vestida? Mulheres costumam demorar mais que homens. – Ela abre a porta. Esta possuía longos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura e olhos cor de avelã. Trajava um vestido cor de açafrão que sua mãe havia feito fio a fio. Sua pele era rosada esbanjando saúde. Atravessa a porta e o dá um beijo curto na boca. Ela sorria.
- Aury, creio que nunca compreenderei a razão de tua insistência em trocar de roupas com as portas fechadas mesmo depois de tudo o que já fizemos. – O jovem a abraça e beija-lhe o pescoço de forma demorada e carinhosa.
- Oh meu querido, às vezes precisamos de privacidade. – Ela fechara seus olhos para sentir o beijo, mas logo pôs um sorriso em seu rosto. – Pode começa a chover! Vamos, Rurik! – Ela segurou a mão de seu amado e começou a correr.
Ambos pararam em frente ao casebre de madeira que o próprio Rurik havia feito e o trancaram. Ambos atravessam a ponte improvisada, que havia logo em frente. Eles caminham por uma trilha na floresta, esta teve seu fim próximo ao castelo, de onde partiram em direção ao campo florido.
Da janela de uma das torres do castelo, o rei Waldeck, que tinha cerca de seus 36 anos de idade, seu cabelo era castanho claro, seus olhos eram cor de mel, eram lindos, porém sem vida, expressavam tristeza e ódio. Ele observava a tudo e a todos, em instantes notara Aury caminhando ao lado de Rurik. Apenas os fitou em silêncio.
Aury andava despreocupada, aproximou-se do campo e arrancara alguns ramos de alfazema. E andou em direção a sua casa, só, pois Rurik havia algo a fazer. Ela colocara certa quantidade de água dentro de um vazo e colocara as flores em seguida. Notara que sua mãe estava fiando.
- Mãe?! O que pretendes fazer? – Indagou ao ver que sua mãe pretendia fazer um vestido branco.
- Só mais uma vestimenta para ti, filha. Não preocupações não são necessárias agora. – Disse sorrindo, porém sem tirar o foco de seu trabalho. – Ah! Querida, o vestido para o baile já está pronto. Já podes tu, começar a se preparar, ele acontecerá dentro de três dias.
- Já lhe disse antes que não é de meu agrado ir a este evento, não almejo ser rainha! – Respondeu irritando-se.
Neste momento sua mãe para de fiar, mas logo retoma o mesmo ritmo.
- Os mensageiros do rei disseram que seria obrigatória que todas as damas da cidade fossem. – Respondeu com um sorriso irônico. – Filha... E aquele garoto, Rurik, vocês tem um caso?
- N-não! Somos só amigos! Esqueceu-se de que nos conhecemos desde os sete anos? Não há nada entre nós! – Respondeu um tanto quanto nervosa.
Aury não se contentava com essa condição, não gostaria de ser rainha, tinha uma péssima impressão do rei. Pouco tempo mais tarde começara a chover. Ela sentara-se próxima a janela e ficara observando o horizonte, notava a fronteira da floresta com o campo de alfazemas. Apoiava sua cabeça sobre a janela e suspirara fundo lembrando-se dos momentos mágicos que passara com Rurik.
Passaram-se dois dias, era noite, véspera do baile cujo rei nomearia a rainha. Silenciosamente caminhando pela casa, Aury vai até a porta, destranca-a e sai. Corre pelas sombras, pois o luar, esta noite, estava forte como seu amor por Rurik. Ela vai ao encontro dele na ponte improvisada. Ela corre em sua direção, o abraça e logo em seguida o beija. Ela a leva para dentro do casebre. Ambos sentam-se à mesa, Rurik ascende uma vela.
- Rurik... Estou com tanto medo... E se aquele nojento, cheio de filhos bastardos, me escolher? Eu já o vi fitando-me, pelas janelas do castelo, inúmeras vezes! – Fala contendo suas lágrimas, porém não consegue, começa a deixá-las correr por seu rosto quando se levanta. – Eu não conseguiria viver com outro a não ser contigo, Rurik!
- Ei... Acalme-se! – Disse ele depois de levantar e a abraçar pelas costas. – Eu estou aqui... Não deixarei que nada lhe aconteça... Por hora, vamos torcer que nada mude nossas vidas assim, tão drasticamente. Fique tranquila minha estrela. – Ele a vira em sua direção.  Frente a frente, ele fita os olhas da jovem, logo aproxima seus lábios dos dela e a beija.
Passam a noite juntos e antes que o sol desponte no horizonte, ela volta para sua casa. O dia na cidade fora realmente agitado, todas as damas estavam arrumando-se para o baile à noite. Quando é chegada a hora, várias e várias damas vão chegando e entrando no grande salão, realmente havia mulheres lindas, todas com seus longos vestidos, seus encantadores penteados e muitas flores.
Aury trajava um vestido azul, com um espartilho preto, usava um colar da família, era feito de prata com um diamante também azul ao centro. Ela olhara pra trás e vira seu amado escondido nas sombras da noite. Angustiada ela pensa:
‘Eu realmente espero que nada mude nossas vidas assim, tão drasticamente... ’
Ela respira profundamente e entra no grande salão.”

Continua...