Cap. I - E Chega o Sinal...
“- Filho, jamais perca este anel, com ele, um dia tu poderás assumir trono! Lembre-te disso! – Dizia uma mulher com seus cabelos avermelhados como brasa, pele branca como nuvens recém-formadas e olhos prata-esverdeados. - Agora vão, os três! Corram!”
- Ah! – Um garoto acorda assustado, este possuía cabelos cor de sangue, olhos verde oliva e pele bronzeada. Este logo se senta no colchão, passa sua mão na cabeça ainda com sono e confuso.
A casa onde assistia era consideravelmente incomum. Construída sobre algumas árvores em meio a uma floresta, próxima ao riacho, era feita de madeira escura, resistente. A casa possuía cerca de quatro cômodos – dois quartos, uma sala e uma cozinha – porém era consideravelmente organizada. As camas eram feitas de peles de animal, e os tecidos eram já bastante antigos, estavam lá há anos. Repentinamente alguém bate na porta levemente.
- Entre, já estou desperto... – Ele dizia ainda com voz de sono.
- Bom dia Nathan! O sol já despontou no horizonte e os pássaros cantam. – Ela falava cantarolando. Seus lábios rosados exibiam um belo sorriso como troféu, a brisa entrava pela janela e fazia as longas madeixas de seu cabelo cor de mel dançarem. Os olhos eram azuis e possuíam um sol cor de ouro ao centro. Ela levava uma cesta com frutas e um pouco de leite de coco. Cantou – Bom dia, bom dia como se pass... - Fora interrompida.
- Ah! Aaliyah! Pare! Detesto este bom humor logo cedo!
- Pessoas chatas deixam a vida chata! – Ela disse rindo um pouco, em seguida sentou-se ao lado dele.
- Eu sonhei com aquele dia mais uma vez... A mesma cena, minha mãe falando daquele jeito... – Ele pega uma maçã e morde levantando sua cabeça fingindo estar tudo bem.
- É... Isso aconteceu comigo também, sonhei com o fogo, o escuro, o frio a lama e a chuva... São as imagens que me assombram... As imagens daquele dia... Mas agora... Teremos de esperar o sinal que ela disse para esperar! – Ela disse tentando animar-se.
Ambos terminaram o desjejum e desceram em direção à grota que se localizava próxima ao local. Quando se aproximaram da pequena queda d’água, já a avistando, Aaliyah hesitou caminhar por alguns segundos, em seguida, Nathan sentindo a falta da presença de sua amiga ao seu lado, para e olha para trás, ela estava olhando para o chão, notava-se que esta dobrava as mãos em punho com demasiada força.
- Aaliyah? Estás bem? - Ele preocupava-se.
Aaliyah mostrava uma sugestão de sorriso em seus lábios; em seus olhos, lágrimas a escorrer. Nathan a olha e corre em sua direção abraçando-a fortemente.
- Não chore... Por favor...
- Foi aqui Nathan, foi aqui... – Ela correspondia o abraço com demasiada força, dera um suspiro profundo e mergulhara em profunda tristeza. Esta encostara seu rosto de encontro ao peito do garoto que a consolava. Nathan sabia o que se passava e entendia o quão doloroso era. – Creio que estou melhor, não posso continuar assim, afinal, já se passaram oito anos... – disse ao enxugar suas lágrimas. Ele a olhou desconfiado, mas em seguida sorriu e bagunçou o cabelo dela.
Caminharam lado a lado até a grota.
A grota era antiga, há quem diga que era mágica, há quem diga que estava lá desde o início dos tempos, para Nathan, era só uma grota, para Aaliyah...
... A perda de alguém.
Ambos estavam encharcados quando risadas foram ouvidas. Assustados o silêncio fez-se, entreolharam-se rapidamente e procuraram ao seu redor. Nada fora avistado durante certo tempo. Risadas é o que ouvem novamente e repentinamente aparece uma garota, esta aparenta ter a mesma idade de Aaliyah, cerca de seus quinze anos. Sua pele era pálida como porcelana, seus olhos e seus cabelos; negros, mas eram assim de tal forma que a penumbra da noite fazia-se parecer clara. Os cabelos chegavam a atingir cerca de três palmos abaixo da cintura. Estava descalça e trajava um curto cinzento.
- Olá! – Disse acenando de cima da pequena queda d’água e inclinando seu corpo, estava com um belo sorriso e os olhos cerrados.
- Quem és tu? – Perguntou Aaliyah assustada, pois acreditavam ser os únicos moradores daquela floresta.
- Sophie! Cecil Sophie! – Respondeu enérgica. E sorrindo – E tu? Quem sois? – Disse inclinando demasiadamente sua cabeça para a esquerda.
- Meiren, Aaliyah Meiren... – Disse desconfiada. – E este é...
...Aaliyah fora interrompida.
- Nathan William Giulio II – Ele respondeu com grande seriedade. – E tu, por ventura, o que desejas conosco?
- Que sério! Assim assusta! – Respondeu parecendo uma criança, mas em instantes sua expressão multara-se, estava séria e fria como uma estátua. – Nathan William Giulio II, filho do rei George William Giulio I com sua primeira esposa Lilia Martinez, a Fugitiva ou a Traidora. Esta abandonara o rei, grávida, levando consigo o anel real com o símbolo do dragão. Fora sentenciada à morte e aos que a acobertava também, Giulio I não sabia de tua existência e... Não sabe.
Nathan abriu seus olhos, assustado ele caíra sentado n’água com uma de suas mãos sobre a face. “Como alguém desconhecido pode saber tanto sobre minha própria vida, pensei que apenas eu e minha mãe soubéssemos...” Pensara assustado.
- Nathan... Jamais dissera algo parecido a mim... Isto que ela dissera é verdade? – Dizia Aaliyah ainda sem reações e ficara inda mais surpresa quando o viu acenar com a cabeça concordando com o que fora dito. – Como mantivestes um segredo destes? Eu acreditava que este anel era uma lembrança de tua mãe.
- Tu eras nova quando o...
-... O ataque ao vilarejo fora realizado. O rei procurava ver a cabeça da rainha como uma cebola num espeto, mas infelizmente apenas soube que morrera, não teve seu desejo realizado, portanto sentenciara à morte a todos que acabassem por ajudá-la, como todos do local a mantiveram em segredo, esta foi a sua punição.
- Como sabes disto? – Perguntou pondo-se de pé novamente e ressaltando sua altura para não sentir-se tão oprimido em relação à jovem que mostrava conhecer mais de sua própria vida do que ele mesmo.
- Há uma velha canção de ninar usualmente cantada na língua do povo antigo; - Disse ela séria, parecia ter uma personalidade ambígua. – Muitos não conhecem a cantiga correta, ou nem mesmo o que significa, apenas sussurram como ouviram como um bando de papagaios, que não conhecem certos riscos. – A garota pareceu exaltada. – Meus antepassados que fizeram esta previsão e com medo do que diriam na época, criaram esta canção: – Ela cantara. A melodia era um lamento, fazia parecer que algo morria dentro de si ao ouvir tal coisa.
“Os tempos vindouros trazem-nos novas;
Alegria, tranquilidade, justiça e paz;
Cairá em castigo eterno, aquele que o mal pregou;
Carregando seu símbolo e sem montante;
Emergirá das névoas, o enviado dos deuses, pois;
Durma agora, estão olhando;
Fique calmo que ele nos salvará;
Durma agora, até o dia em que tudo recomeçará.”
Ambos estavam em silêncio, conheciam a melodia, porém nunca lhes disseram a canção. Entreolharam-se assustados e a fitaram novamente, sabiam que elara era o sinal esperado. Falaram juntos sem sequer notar:
- Serias tu o nosso sinal?
- Auxilio! – Agora parecia ser uma criança boba novamente. – É assim que prefiro que digam! Vim mostrar-vos o caminho para Grityfell, mas é claro que por fora da estrada. – Piscou um de seus olhos e sorriu – Existem espiões do rei e os seu cabelo e olhos te entregam, são características marcantes de sua mãe, pois. – Sorriu.
Aaliyah e Nathan esperaram por este dia há anos, desde o ataque ao vilarejo. Disseram que o sinal viria quando achasse que era hora. “O sinal é d’outro mundo, vindouro do povo antigo e chegará com o inesperado.” Relembrou Aaliyah. Convidaram Cecil para um jantar, mas ela nada comeu. Todos foram dormir após mais conversa...
Continua...


