Cap. V - Um lugar para ser chamado de "só nosso".
- Nunca! Seu velho nojento! – Áurea despertava de seu estado de choque. – Deus é testemunha do que eu passe em tuas mãos!
- Nunca! Seu velho nojento! – Áurea despertava de seu estado de choque. – Deus é testemunha do que eu passe em tuas mãos!
- Ora como te atreves! Sua vagabunda insolente! Matar-te-ei de imediato! O Lorde das Trevas mandou-me vir aqui buscar o compactuado, chegara a hora dele. Já que este era válido até o vosso reencontro! – Ele ria maliciosamente. – Acho que levarei um presente a mais, já que não ficará comigo por bem, será por mal, minha flor prometida, minha Aury! – Ele ria, sua voz era ambígua, assustadora, demoníaca.
- Compactuado? Do que estás falando? Ficou louco? – Diz ela confusa, não entendia o que estava ouvindo, mesmo tendo recuperado parte das lembranças de sua vida passada.
Waldeck começou a andar em direção a eles, Rurik, que ainda estava parado em frente Áurea, não se movera, mesmo ao ver o rei provindo das trevas segurando uma espada. Ele grita friamente:
- Corra! Vá para o nosso local! Vá o mais rápido que pode!
- Nosso local...? – Ela ainda tentava-se lembrar de onde era. – Mas-
- Não se preocupe comigo e não olhe para trás! – Ele a interrompe, não parecia ser a mesma doce pessoa de antes, agora estava frio e notava-se a raiva o possuindo. Mesmo usando a máscara que cobria a parte superior de seu rosto, ela notara que ele suava. Estava nervoso, ele sabia lutar, sabia como manejar uma espada, mas não tinha uma consigo. – Vá! Corra! Ficarei bem e logo lhe encontrarei no nosso local! Não olhe para trás!
- Estarei lhe esperando! – Áurea apenas virou suas costas e começou a correr. Isto era difícil, pois ela usava salto e vestido longo. Logo em seguida vira um vulto com algo brilhante passando ao seu lado. – O que será qu- deixa para lá, onde é o “nosso lugar?” onde devo esperar-te? – Ela apenas corria.
“- Como assim só nosso? – Dizia a pequena garotinha, esta possuía cerca de seus sete anos.
- Sim! Precisamos de um lugar para chamar de ‘só nosso’! – Respondeu um garotinho loiro com cerca de seus oito ou nove amos de idade.
- E onde você pensou? – Disse ainda curiosa.
- Venha Aury! Vou te mostrar! Lá é lindo... – Falou sorrindo e puxando-a pelo pulso”
- Que maravilha! Se eu ao menos lembrasse o local! – Dizia para si mesma.
Áurea estava ofegante de tanto correr, a sua frente enxergara uma cachoeira, se aproximou e ajoelhou-se na beira do rio. Olhando seu reflexo. Retirara a máscara e como um relâmpago viu a imagem de duas crianças brincando na parte rasa da cachoeira, assustada deixou a máscara cair no chão.
“- Uau! – Disse uma garotinha surpresa. – Aqui é lindo!
-Viu! Eu te disse! – E esse agora é o nosso lugar! Só nosso!”
- É aqui! Mas... Como eu cheguei aqui? – Ela começa a rir. – Acho que meu inconsciente que me trouxe... – Áurea olha para cima e vê a lua brilhando. - Acho que foi como naquela vez...
“Era dia, porém faltavam poucas horas para o sol se por. A jovem rainha havia se perdido na floresta, pois mandara seus cavaleiros a deixar sozinha. Ela saíra da trilha atraída por algumas orquídeas que havia nas árvores. E andara até chegar em uma cachoeira, alta, bela e fria.
- Também sinto tua falta majestade. – Disse Rurik ao se curvar.
- Rurik? – Estava paralisada, sem reação, ela ainda o amava, porém estava casada com o rei.
- Sim majestade. – Permanecia curvado.
- Pare com isso! Eu não gosto! Rurik... Eu senti tanto a sua falta... – Ela abraçou seus próprios braços e começou a chorar. – Aquela velha nojenta! Ela não me disse que havia me prometida em casamento! – Disse mergulhando em um choro desesperado. Ela fica de cócoras. Instantes após ela sente algo na sua cabeça. Ele havia posto a coroa dela novamente no local. Ela olha para cima e o vê sério, sem vida no olhar.
Rurik estava diferente desta vez, era como se o seu coração tivesse sido arrancado e lançado aos animais. Ele pega uma das mãos da jovem e a ergue, assim levantando a garota, permanecendo com o braço estendido para cima, ele passa a outra mão pela cintura dela e a puxa para perto de si. Logo em seguida ele a beija, como ele a beijava antes, antes daquela drástica mudança.
Passadas horas ele a guia até a trilha. Deste dia em diante, eles sempre se encontravam naquele local, na mesma hora. Ela sempre ordenava aos cavaleiros para que a deixassem ir só, porém o rei começara a desconfiar e ordenou que uma criada a acompanhasse sempre, porém esta era bastante amiga de Aury, portanto ajudava.
Certo dia o rei mandara um de seus homens segui-las secretamente, este vira a jovem rainha junto de seu amado. Voltou ao castelo e contara tudo ao rei. Waldeck estava à esperara de Aury em seus aposentos. Ele começara a falar quando esta chegara.
- Onde estavas? – Pergunta seriamente, virado de costas para ela olhando tudo pela janela.
- Colhendo flores com minha criada, meu querido. – Responde andando em direção a ele e retirando o pesado manto do rei.
Ele fica irado neste instante e com considerável força estapeia o rosto da dama, assim, jogando no chão.
- Vagabunda! Anda deitando-se com outro homem! – Ele dizia tudo esbanjando ira, mesmo ele sendo tão infiel quanto, ou mais. – Estás proibida de sair do castelo! Meus homens e criados vigiarão seus passos!
- Pois que seja! Eu nunca desejei ter me tornado sua noiva!
- E é exatamente por isso que tu não poderás ter um filho de outro homem! Tu és minha esposa e sendo assim deves cumprir teu papel, estive este tempo todo me divertindo com criadas, pois tu eras muito nova, mas agora já se passou um ano e exijo que dê-me um herdeiro!
- Nunca! Jamais me deitarei contigo seu velho nojento! Vá divertir-te com um de tuas pobres empregadas sem opção! – Gritou como ruge um leão, estava realmente o odiando mais que tudo.
- Irei lhe mostrar o que é desafiar a mim! – Falou em um tom mais baixo que a assustara. Ele fechara as cortinas dos seus aposentos e a olhara maliciosamente, ela correra para a porta, mas ele chegara antes e a trancara.
Waldeck a segurara pelo pescoço e a levantara. Ele caminhava em direção à cama, ela segurava o braço do mesmo, ele estava a asfixiando. Em seguida ele a jogara na cama como se joga lavagem aos porcos, e subira sobre a jovem. Esta se debatia tentando livrar-se dele, porém ele era mais forte. Abruptamente ele retira as vestes da garota e suas próprias vestes também.
Em instantes a jovem já não poderia mais pensar em seu futuro ao lado de Rurik, o rei a sujara com sua maldade.”
- O que é isto? – Disse o jovem loiro olhando para o chão ao ver uma espada reluzente. Uma garota que trajava um manto marrom surgiu à sua frente.
- Após ele ter descoberto o caso de vocês dois eu fui jogada aos calabouços do castelo, se não fosse por ti, eu e meus filhos não teríamos vivido como vivemos. Meu espírito não conseguiu seguir em frente sem ver tu e tua amada juntos. Portanto, aqui está minha ajuda a ti.
- Muito obrigado minha cara dama. Sinto que as moedas de ouro que eu dei-lhe para cuidar de sua família valeram a pena. – Respondeu sorrindo ao pegar a espada e olhando para Waldeck.
- Que comovente reencontro... Merece aplausos. – Diz sarcasticamente – Porém, sinto em decepcioná-los, mas... – A voz demoníaca causava arrepios em todos. – Irie leva-lo comigo ao inferno, o prazo do seu pacto de vida eterna expirou, tu já a encontrara. Não há nada escrito sobre ficar com ela. Tua alma pertence ao Lorde das Trevas agora! – Ele corre na direção do jovem loiro empunhando sua empada e tenta feri-lo.
Rurik era demasiado habilidoso, mesmo o rei tendo poderes anormais, o jovem era capaz de desviar e contra-atacar. Ao longe se escutava o tinir das espadas se chocando. Era uma melodia triste, onde só se poderiam comemorar desgraças desde o início dos tempos. Waldeck, com um golpe sujo, joga areia nos olhos do garoto e o derruba no chão. E ergue sua espada com e intenção de atingir-lhe com um golpe final.
“Dentro de uma torre, uma jovem rainha estava presa aos cuidados dos criados, mal comia, bebia, ou sequer tomava banho. O rei apenas aparecia periodicamente às noites.
-Sua meretriz imunda! Vaca infértil! Não serves para coisa alguma! Nem para dar-me um herdeiro! – Ele a estapeava novamente, ela, porém, estava demasiadamente fraca para corresponder às agressões. Apenas sofria calada.
Os criados geralmente ouviam a discussão, todos gostavam muito de Aury, esta era gentil e carinhosa, porém estando naquele estado eles não podiam fazer nada. Certo dia recebera uma carta, secretamente enviada sob seu prato. Rurik a escrevera. Porém esta não conseguira lê-la, o rei aparecera e a rasgara. Ele a espancou novamente, como não encontrou o criado responsável por lhe entregar a carta, punira à todos com um ano pagando o dobro de dízimos.
Rurik, assim como alguns outros criados, visitavam Jessie, que estava jogada em um calabouço com suas roupas e um manto marrom. Rurik dava dinheiro para ajudar no sustento da família desta. Certo dia ele combinara de libertá-la, ele iria quebrar as grades, os filhos dela já estariam indo ao local do encontro e estes fugiriam. E assim o plano foi executado com perfeição, os calabouços era distantes do castelo e não tinham cavaleiros e nem guardas vigiando.”
No momento do impacto uma luz branca surge e impede de Rurik ser atingido.
A luz tomou forma, era a garota que trajava a capa marrom. Ela impedira que Rurik fosse atingido.
- E- eu sempre torci por vocês dois! Agora... Darei minha alma ao vosso amor. Eu te liberto de seu pacto dom o Lorde das Trevas, vou em seu lugar! – Ela fala com suas últimas forças. – Você já não tem mais opção! Já fio atingida pela Espada das Trevas. Adeus... Sejam felizes!
- Maldita criada! Como ousas? Como pôde impedir a minha vingança? – Neste momento ambos, a criada e o rei, começaram a desaparecer em meio à escuridão. – Que tu queimes eternamente! – Viu-se uma luz branca intercedendo pela jovem empregada. Ao ver de Rurik ela fora levada aos céus, porém sua visão estava embaçada. Ele pode apenas ouvir um berro que expressava o ódio em som. A voz era tão assustadora que ele não pôde se mover durante alguns instantes. Quando voltara ao normal, vê um lírio branco em seu colo. Era mais um presente da jovem da capa marrom. Havia uma mensagem escrita na terra, ao seu lado:
“Devolva a ela o que perdera.”
“Aury estava cerca de um ano presa na torre, acabara de fazer seus dezoito anos. Um dia, seus criados acertaram em ajudar a rainha em uma fuga à noite. Esta aceitou a proposta, e à noite um dos guardas abriu a porta e a deixou sair, todos lhe davam comida e roupas. Ela agora trajava um vestido salmão, longo, com rendas e espartilho brancos. Entregaram-lhe também uma capa negra como a noite sem lua e nem estrelas.
Antes de sair do castelo, uma garotinha lhe entregara lírio branco com um laço salmão. Dissera que era para dar-lhe boa sorte. Aury a aceitou e saiu do local camuflada por entre as sombras. Ela correra o máximo que pudera. Rurik havia sido avisado da fuga e já a esperava, quando a vira, seguiu como pôde, porem esta estava distante. O sol ameaçava despontar, ela atravessara a campina verde e encontrara um penhasco. O olhara, sentia a brisa em seu rosto e fechava seus olhos, quando repentinamente ouve um grito.
- Não faça isso! – Um garoto loiro grita em desespero ao ver uma jovem na beira de um penhasco.
- Não posso continuar com isso! Eu não aguento mais! – Diz uma garota dos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura trajando um vestido longo salmão. Ela chorava em desespero. – Deixe-me ir!
- Se ir não serei capaz de perdoá-la! Pense nisso!
- Agora eu já não sei nem mais o que eu sou... Ao meu eterno amado, desejo encontrar-te em um futuro um que possamos nos amar. – Ela solta o lírio e deixa com que a gravidade agisse sobre seu corpo, assim, ela alça seu voo, como um meteorito brilhante. ‘Espero que você me ame ainda assim...’ – Aury pensou em seus últimos momentos de vida.”
- Áurea! Podes me ouvir? – Rurik gritava ao longe. Fora até a cachoeira, mas só encontrara a máscara lá. O sol ameaçava despontar, ele correra até a fronteira da floresta com a campina e vira Áurea ao longe. Ele correra desesperadamente, ela caminhava rumo ao penhasco. Quando o jovem está se aproximando dela, começa a gritar com todas as suas forças, ainda correndo. – Áurea! Áurea! Não posso perdê-la, mais uma vez! Por favor! Pare! Não faça isso! Não serei capaz de perdoa-la se o fizer novamente!
A garota se vira com um sorriso no rosto.
- Eu? O fazer novamente? Jamais! Penso que não o deveria ter feito uma vez... – Ela caminhava em direção a ele, que havia parado de correr e estava ofegante. Ele e olha por trás da máscara prateada e a abraça fortemente.
- Eu te amo... – Cochicha no ouvido da bela garota.
- Desejo ouvir VOCÊ, Rurik, me dizendo isso! – Ela o afasta e encara seus olhos por trás da máscara, em seguida ergue suas mãos, retira-a, e o fita novamente.
- EU TE AMO! – E repete, nesta instante o sol desponta no horizonte fazendo toda a veste de Áurea reluzir com seus inúmeros cristais. A luz do sol fazia com que o cabelo do garoto brilhasse ainda mais, ele ainda trajava sua capa negra por fora e vermelha internamente, sua pele branca mostrava-se macia, e seus olhos brilhavam como um par de esmeraldas lapidadas.
- EU TAMBÉM TE AMO!
Logo ela o beijara, e assim, consolidou um amor que será eterno....
Fim...

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOH! CHOREI CACHOEIRAS AQUI! Ç_Ç
ResponderExcluirMEU DEEEEUS, QUE COISA MAIS LINDA! Ç___Ç
OOOOOOOHHHHMM! AH! AH! Chorei. ç.ç