sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quelqu'un M'a Dit - Part. II


Cap. III - Uma bela noite para alguém.

Era quase seis da tarde, Áurea estava preparando-se para sua formatura, afinal de contas, ela cursava a terceira série do ensino médio. Ela estava ansiosa, iria a um grandioso baile, onde seria feito dentro dos limites do local onde estudava. Dava-se para enxergar um enorme salão principal, este estava decorado com várias fitas, balões e sobre as mesas, tecidos brancos também. A formatura com a temática branca era tradição do colégio e este ano era um baile de máscaras.
- Mãe! Onde está o vestido que compramos junto com as minhas presilhas de cabelo? – Áurea estava realmente empolgada com tudo aquilo, ela corria de um lado a outro para arrumar-se.
- Estou passando-o! Fique tranquila filha! Ainda faltam uma hora e meia! – Respondeu sua mãe, esta estava no andar térreo.
O tempo passou-se, Áurea estava pronta, trajava um longo vestido salmão, este possuía certo volume e cristais pequenos e cintilantes, não possuía alças e, em sua cintura, uma faixa branca que media cerca de dez centímetros que formava um laço na sua parte frontal à esquerda. Seu sapato possuía um salto não muito baixo e era branco. Seu cabelo agora estava maior e cacheado, havia crescido desde o seu primeiro encontro com o garoto, estava um palmo e meio abaixo de seus ombros e nesta noite, estava preso pela metade atrás. No alto, uma presilha metálica branca que parecia ter sido desenhada, tinha o formato de flores. Seus brincos eram pequenos, seu colar também, usava luvas da mesma cor do vestido, porém com renda branca nas pontas. Sua máscara era prateada com brilhos nas pontas.
Esta noite sua mãe que a levara até a festa formatura, ela a deixara lá e fora embora. Áurea subiu as escadarias da parte frontal do local. Estava indo ao baile sem um par, não havia ninguém com quem ela gostaria de ir exceto o garoto misterioso, pelo qual estava apaixonada. Deu alguns passos em frente e entrou no salão, havia várias pessoas lá, estavam todos muito bonitos. Áurea andou em direção ao canto e sentara-se sozinha. Vários de seus amigos lhe pediram para dançar, porém ela não aceitara.
Cerca de uma hora depois do inicio da festa, Áurea já não estava muito bem, decidira dar uma volta e então saíra. Caminhou em direção ao córrego, o mesmo eu passava perto do castelo, e sentara-se no banco de madeira que havia próximo deste. Ela apoiara a mão direita sobre o banco e sentira algo. Era uma flor, copo-de-leite com um laço branco. Ela levantou-se imediatamente e olhou para todos os lados a procura de quem a deixara lá, olhou para trás e não vira nada, quando voltara sua visão para frente, viu o mascarado misterioso, ele trajava uma capa negra por fora e vermelha cor de sangue por dentro.
- Você está linda esta noite... Sempre foi... – Nesse momento ele olha para o chão e fala só para si. – Estava linda naquela noite também... – Vêm algumas imagens em sua mente.

“- Não faça isso! – Um garoto loiro grita em desespero ao ver uma jovem na beira de um penhasco.
- Não posso continuar com isso! Eu não aguento mais! – Diz uma garota dos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura trajando um vestido longo salmão. Ela chorava em desespero.  – Deixe-me ir!
- Se ir não serei capaz de perdoá-la! Pense nisso!”


     O mascarado levanta seu olhar para a garota e sorri, ela nota uma lágrima molhando o queixo dele, mas não diz nada.
- Vo-você está bem? – Perguntou preocupada e segurando fortemente a flor copo-de-leite. – Há algo que te incomoda?
- São só lembranças... – Disse sorrindo para não preocupa-la. – Vamos! Há algo a tua espera!
Ele segura na mão da garota e anda na direção do córrego, logo ela avista uma ponte improvisada e um casebre de madeira bastante antigo, este havia sido tomado pelo tempo. Ela reconhece o local, sabe que há uma saída do castelo que leva até lá através de uma trilha escondida.
Ambos atravessam a ponte e caminham pela trilha na floresta. Ela andava devagar pois estava usando salto.
- Nee... Como você consegue? – Áurea pergunta enquanto andam lado a lado de mãos dadas e lentamente pela trilha. Ela cheira a flor novamente e olhava para a trilha que chegava ao fim.
- Consigo o que? – Diz sem entendê-la e a olhando.
- Sabe... Aparecer e desaparecer assim...
- Ah! Isso, bem... Eu sou só rápido...
- Entendo... Por que eu sinto que já lhe conheço? – Ela pergunta e eles param de andar, haviam acabado de chegar ao final da trilha, de um lado enxergavam o castelo, do outro as ruínas da antiga sociedade ao longe.
- Ei! Venha vou lhe mostrar um belo lugar você vai ad- – Ele não pôde terminar a sua frase, fora interrompido por uma voz demoníaca de outro mundo.
- Então você está aí?! Aury! – O som ecoava por todo o castelo, Áurea ficou estática, já não enxergava mais, seu corpo fremia por inteiro ela olhava para o chão, deixara a flor cair.
O jovem mascarado fica a frente de Áurea com a intensão de protegê-la, pois ele reconhecera a voz, era de um rei antigo que um dia governara por ali. Este era conhecido por ser cruel e impiedoso, além disso, diziam que ele maltratava e traía sua esposa. Disseram que sua esposa fora prometida a ele quando nasceu. Ela era cerca de vinte anos mais nova. Casou-se aos dezesseis e suicidou-se aos dezoito.
- O que queres conosco? Deixe-nos em paz, Waldeck! – Gritava o garoto.
- Ela é minha por direito! Vim das trevas para impedi-lo de ficar com ela! – Das sombras do castelo surgia uma estranha figura, era um homem alto, barbudo, com o manto e a coroa reais. Ele caminhava na direção dela com a mão direta estendida. – Oh minha querida Aury! Venha até mim! Deixe Rurik e vamos recomeçar nosso amor!
Neste momento várias lembranças inundavam a mente de Áurea. O velho lhe chamara de Aury, chamara o garoto com a máscara de Rurik e ela surpreendentemente conhecia esses nomes. Começara a lembrar-se de algo que já havia terminado há muito tempo, recordava-se de um passado.


Cap. IV - Memórias de uma flor.

“Os dias estavam frios, o céu estava triste, ele escurecera em plena manhã – era a época de chuva. O castelo estava agitado, pessoas corriam de um lodo a outro, o salão principal estava todo decorado com diversas flores, desde a mais comum a mais bela. O perfume destas fazia o ar parecer mágico. O grande salão, logo na entrada, estava sendo preparado para uma festa. Iriam anunciar quem tornar-se-ia a rainha em três dias.
Próximo ao castelo havia uma linda planície, que nesta época do ano, florescia. Esta deixava de ser verde e tornava-se roxa, o perfume das alfazemas era carregado para longe pela brisa que soprava por ali.
- Aury! Vamos! Se demorarmos a chuva pode cair! Se isto vier a acontecer, tu não poderás colher as alfazemas que tua mãe lhe pedira!– Dizia um garoto alto, com cabelos pouco ondulados na altura de seus ombros, eram loiros e brilhavam como o luar. Ele falava alto, estava escorado em uma porta de madeira, esta separava um quarto de uma sala.
- Acalme-se amado meu! Preferes que eu vá sem estar devidamente vestida? Mulheres costumam demorar mais que homens. – Ela abre a porta. Esta possuía longos cabelos castanhos cacheados na altura de sua cintura e olhos cor de avelã. Trajava um vestido cor de açafrão que sua mãe havia feito fio a fio. Sua pele era rosada esbanjando saúde. Atravessa a porta e o dá um beijo curto na boca. Ela sorria.
- Aury, creio que nunca compreenderei a razão de tua insistência em trocar de roupas com as portas fechadas mesmo depois de tudo o que já fizemos. – O jovem a abraça e beija-lhe o pescoço de forma demorada e carinhosa.
- Oh meu querido, às vezes precisamos de privacidade. – Ela fechara seus olhos para sentir o beijo, mas logo pôs um sorriso em seu rosto. – Pode começa a chover! Vamos, Rurik! – Ela segurou a mão de seu amado e começou a correr.
Ambos pararam em frente ao casebre de madeira que o próprio Rurik havia feito e o trancaram. Ambos atravessam a ponte improvisada, que havia logo em frente. Eles caminham por uma trilha na floresta, esta teve seu fim próximo ao castelo, de onde partiram em direção ao campo florido.
Da janela de uma das torres do castelo, o rei Waldeck, que tinha cerca de seus 36 anos de idade, seu cabelo era castanho claro, seus olhos eram cor de mel, eram lindos, porém sem vida, expressavam tristeza e ódio. Ele observava a tudo e a todos, em instantes notara Aury caminhando ao lado de Rurik. Apenas os fitou em silêncio.
Aury andava despreocupada, aproximou-se do campo e arrancara alguns ramos de alfazema. E andou em direção a sua casa, só, pois Rurik havia algo a fazer. Ela colocara certa quantidade de água dentro de um vazo e colocara as flores em seguida. Notara que sua mãe estava fiando.
- Mãe?! O que pretendes fazer? – Indagou ao ver que sua mãe pretendia fazer um vestido branco.
- Só mais uma vestimenta para ti, filha. Não preocupações não são necessárias agora. – Disse sorrindo, porém sem tirar o foco de seu trabalho. – Ah! Querida, o vestido para o baile já está pronto. Já podes tu, começar a se preparar, ele acontecerá dentro de três dias.
- Já lhe disse antes que não é de meu agrado ir a este evento, não almejo ser rainha! – Respondeu irritando-se.
Neste momento sua mãe para de fiar, mas logo retoma o mesmo ritmo.
- Os mensageiros do rei disseram que seria obrigatória que todas as damas da cidade fossem. – Respondeu com um sorriso irônico. – Filha... E aquele garoto, Rurik, vocês tem um caso?
- N-não! Somos só amigos! Esqueceu-se de que nos conhecemos desde os sete anos? Não há nada entre nós! – Respondeu um tanto quanto nervosa.
Aury não se contentava com essa condição, não gostaria de ser rainha, tinha uma péssima impressão do rei. Pouco tempo mais tarde começara a chover. Ela sentara-se próxima a janela e ficara observando o horizonte, notava a fronteira da floresta com o campo de alfazemas. Apoiava sua cabeça sobre a janela e suspirara fundo lembrando-se dos momentos mágicos que passara com Rurik.
Passaram-se dois dias, era noite, véspera do baile cujo rei nomearia a rainha. Silenciosamente caminhando pela casa, Aury vai até a porta, destranca-a e sai. Corre pelas sombras, pois o luar, esta noite, estava forte como seu amor por Rurik. Ela vai ao encontro dele na ponte improvisada. Ela corre em sua direção, o abraça e logo em seguida o beija. Ela a leva para dentro do casebre. Ambos sentam-se à mesa, Rurik ascende uma vela.
- Rurik... Estou com tanto medo... E se aquele nojento, cheio de filhos bastardos, me escolher? Eu já o vi fitando-me, pelas janelas do castelo, inúmeras vezes! – Fala contendo suas lágrimas, porém não consegue, começa a deixá-las correr por seu rosto quando se levanta. – Eu não conseguiria viver com outro a não ser contigo, Rurik!
- Ei... Acalme-se! – Disse ele depois de levantar e a abraçar pelas costas. – Eu estou aqui... Não deixarei que nada lhe aconteça... Por hora, vamos torcer que nada mude nossas vidas assim, tão drasticamente. Fique tranquila minha estrela. – Ele a vira em sua direção.  Frente a frente, ele fita os olhas da jovem, logo aproxima seus lábios dos dela e a beija.
Passam a noite juntos e antes que o sol desponte no horizonte, ela volta para sua casa. O dia na cidade fora realmente agitado, todas as damas estavam arrumando-se para o baile à noite. Quando é chegada a hora, várias e várias damas vão chegando e entrando no grande salão, realmente havia mulheres lindas, todas com seus longos vestidos, seus encantadores penteados e muitas flores.
Aury trajava um vestido azul, com um espartilho preto, usava um colar da família, era feito de prata com um diamante também azul ao centro. Ela olhara pra trás e vira seu amado escondido nas sombras da noite. Angustiada ela pensa:
‘Eu realmente espero que nada mude nossas vidas assim, tão drasticamente... ’
Ela respira profundamente e entra no grande salão.”

Continua...

2 comentários:

  1. Gostando kda vez +++ lega quero ver todas as partes.....Fã numero 1...

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  2. NÃOOOOO! Áurea zumbi vai ser molestada. IMPEÇA ISSO! IMPEÇAAA! Ç_Ç

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