sábado, 10 de dezembro de 2011

The Heart of the Ring - Part. IV

Cap. IV - As mãos.

A fumaça fazia os olhos arderem, a terra era úmida, barrenta, escorregadia. O túnel, em sua maioria, estava em perfeito estado, exceto pelo início desse, onde acontecera um deslizamento e o trânsito ficava bastante complicado. Aaliyah andara o caminho inteiro com o resto de encontro ás costas de Nathan. O jovem, do cabelo vermelho-sangue e olhos cor de esmeralda, sabia o quanto era difícil para ela passa por aquele local. Aquele corredor subsolo era demasiado longo. Quando saíram, estava noite, a tocha se apagara com cerca de dois terços do caminho completo.

Um a um, estavam os três dentro dos restos do que fora, um dia, uma casa. O lugar não é estranho à Nathan; afinal, até seus dez anos de idade, ele morara ali. A maior parte do telhado ainda estava erguido, pelo que notou, não havia sinal de fogo ali. Algumas das casas mais afastadas não foram atingidas pelo incêndio provocado pelos soldados reais. Aaliyah apalpou o chão à procura de algo que possa incendiar-se facilmente. Encontrou alguns tecidos velhos.

- Nathan! Faça algum fogo, antes que nos percamos! Aqui! – Falou com as lágrimas presas na garganta, logo, jogou os tecidos em direção a ele, que logo em seguida pegara pedaços de móveis antigos e fizera uma fogueira, fora mais demorado, não havia gordura desta vez.

- Aly, se é que posso te chamar assim. – Disse a garota dos olhos que parecem pérolas negras.

- Não se preocupe. – Respondeu de cócoras próxima ao fogo, tentando se aquecer.

- O que tanto te atormenta? Se não for muita invasão perguntar.

Aaliyah esconde o rosto nos joelhos e deixa-se levar por um mar salgado de depressão. Fora Nathan quem falara:

- Minha mãe estava comigo andando na praça, encontramos Aly e sua irmã mais nova brincando, juntas como sempre foi. Até que chegaram ou batedores reais e logo o exército. Minha mãe correu me levando e levando ambas também.

- Mas vocês já se conheciam?

- Sim. A mãe delas fora minha ama de leite. Bom... Antes dos soldados chegarem aqui, minha mãe disse para passarmos pelo túnel. Nós já havíamos feito esse caminho umas duas ou três vezes, pois minha mãe gostava da grota, ela e as pessoas da aldeia que construíram aquela casa. Com medo de que isso um dia chegasse a acontecer.

- E vocês passaram pelo túnel? – Sophie sempre fora curiosa.

- É, foi o único caminho seguro. – Ele estava com uma voz bastante triste. Enquanto falava olhava para Aaliyah e a via chorando cada vez mais. – Enquanto atravessávamos o túnel, eu com meus dez anos era o mais velho; Aly, com sete e Nina com cinco anos. Corríamos, estava chovendo, Nina chorava muito, aquele cheiro de lama era fortíssimo. Quando estávamos chegando... – Nathan abaixou sua cabeça e passou as mãos em seu cabelo. – Houve um deslizamento, Nina estava atrás de Aly, segurando sua mão quando... – Ele parecia estar chorando, se estivesse, estaria tentando disfarçar. – Então e tive que puxar Aly antes que todos ficássemos lá...

O silêncio teria preenchido o ambiente se não fosse pelos soluços de Aaliyah, que chorava como chorou há oito anos. Seus longos cabelos cor de mel pareciam ser vermelhos com a luz do fogo. Com um suspiro muito profundo Aaliyah recuperou fôlego.

- A mão dela, - Dizia ainda com a cabeça de encontro aos joelhos. – ainda... Ainda segurava... a minha.

- Aly você... - – Cecil tentou falar mas Aaliyah continuou.

- Aquela... Aquela mãozinha ainda... tinha força... ainda tinha... calor... – Deu um suspiro maior, como se estivesse procurando coragem. – Ainda tinha vida... – Voltou a chorar.

Continua...

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